domingo, 13 de abril de 2014

Filha da natureza

Tenho estado quieta nos últimos tempos. Estou me sentindo mais sensível à certas coisas, mas não sensível do tipo que chora ou sofre por nada, na verdade tenho me sentido muito forte em relação aos meus sentimentos e até consigo controlar meus impulsos. Me sinto sensível aos outros, mais propícia à observação e silêncio. Os cheiros estão mais acentuados, me pego andando pelas ruas inspirando os perfumes dos outros e sentido suas fragâncias às escondidas.

Decidi cortar o cabelo essa semana. Me olhei no espelho um dia e me senti escondida debaixo de todo aquele volume, era confortável, altamente confortável, e por me sentir confortável demais cortei-o na altura dos ombros. Foi um ato de coragem, uma renuncia que me fez bem. Cortar o que me era caro me mostrou que sobrevivo às perdas, que não preciso temer os cortes, a vida recria, tudo nasce e cresce novamente. 

Como uma árvore que desfolha no inverno e ganha flores na primavera, é preciso sujeitar-se às perdas para ganhar os botões. E sendo filha da natureza sigo à risca minhas estações, na esperança de estar fazendo o que é certo.