segunda-feira, 21 de abril de 2014

Amora Amoreira


Olha quem vem tropeçando por aí. Olha como ela se exibe para a solidão, de corpo nu e peito aberto recebe a tempestade numa dança solitária. Olha lá como ela se dopa de poesia, arte e canções de pessoas mortas.

Olhos de ressaca puxam todas as lágrimas para o centro do seu coração. Ela fecha-se em si mesma, e diz a todo mundo que a solidão é como um elefante azul, um grande amigo que passeia pelos cômodos da casa, derrubando algumas coisas do lugar.


domingo, 13 de abril de 2014

Filha da natureza

Tenho estado quieta nos últimos tempos. Estou me sentindo mais sensível à certas coisas, mas não sensível do tipo que chora ou sofre por nada, na verdade tenho me sentido muito forte em relação aos meus sentimentos e até consigo controlar meus impulsos. Me sinto sensível aos outros, mais propícia à observação e silêncio. Os cheiros estão mais acentuados, me pego andando pelas ruas inspirando os perfumes dos outros e sentido suas fragâncias às escondidas.

Decidi cortar o cabelo essa semana. Me olhei no espelho um dia e me senti escondida debaixo de todo aquele volume, era confortável, altamente confortável, e por me sentir confortável demais cortei-o na altura dos ombros. Foi um ato de coragem, uma renuncia que me fez bem. Cortar o que me era caro me mostrou que sobrevivo às perdas, que não preciso temer os cortes, a vida recria, tudo nasce e cresce novamente. 

Como uma árvore que desfolha no inverno e ganha flores na primavera, é preciso sujeitar-se às perdas para ganhar os botões. E sendo filha da natureza sigo à risca minhas estações, na esperança de estar fazendo o que é certo.